A cientista Consuelo Walss-Bass, geneticista e professora de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, tem dedicado sua carreira a entender os transtornos psiquiátricos em nível molecular. Sua motivação pessoal vem de uma pergunta que a acompanha há anos: por que sua irmã tem esquizofrenia, enquanto ela não, apesar de compartilharem os mesmos genes e terem crescido no mesmo ambiente?
Uma história familiar de luta Consuelo Walss-Bass cresceu em uma família que enfrentou a esquizofrenia de perto. Sua mãe e sua irmã Paty foram diagnosticadas com a doença, o que levou a cientista a investigar as causas genéticas e ambientais que podem levar ao transtorno. Em seu livro 'Por que a Minha Irmã?', a ser lançado em 2026, ela entrelaça sua vivência familiar com o conhecimento científico sobre a esquizofrenia.
A cientista lembra que, durante a infância, ela e seus irmãos precisaram lidar com as alucinações e delírios da mãe. A doença afetou profundamente a dinâmica familiar, especialmente quando a mãe foi internada em um hospital neurológico. Consuelo, então com 15 anos, sentiu profundamente a ausência da mãe, mas conseguiu separar a pessoa da doença, lembrando dos momentos bons que viveram juntos antes dos primeiros episódios fortes da esquizofrenia.
A combinação de genes e ambiente Para Consuelo Walss-Bass, a esquizofrenia é resultado de uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Ela acredita que a irmã Paty sofreu traumas desde a gestação, quando a mãe já estava doente, e durante a infância, quando ficou isolada e sem o amor materno. Essa combinação de fatores, segundo a cientista, pode ter contribuído para o desenvolvimento da doença em Paty.
A cientista dirige o Programa de Genética Psiquiátrica da UTHealth Houston e um laboratório de pesquisa que guarda 180 cérebros para estudo. Ela investiga quais combinações genéticas e ambientais podem levar ao desenvolvimento da esquizofrenia, buscando entender por que algumas pessoas são mais resilientes do que outras.